Isso era para ter sido escrito há uma semana atrás, mas digamos que uma semana de atraso para se curar da depressão pós-show do maior ícone do rock vivo é até pouco tempo. Como filha de um bom beatlemaníaco e uma herança de 10 discos de vinil dos Beatles, Lennon e McCartney na prateleira e um resquício de pesar por ter perdido o show ano passado, a notícia da volta do rei em maio de 2011 foi a mais feliz dos últimos tempos, não só para mim, mas para todos os cariocas de todas as gerações que lotaram o Engenhão nos dias 22 e 23. 90% das cordas vocais dos presentes estavam prejudicadas depois de três horas de muito Beatles, Wings e Fireman, e quatro incansáveis minutos de homenagem em Hey Jude, que claramente emocionaram Paul. Toda a pista Prime ergueu plaquinhas escrito "NA" no final da música. Efeito visual absurdo.
Live and Let Die foi outra performance de tirar o fôlego. A clássica explosão no palco acompanhada pelos fogos que iluminaram o estádio - e ensurdeceram o músico - brilharam nos olhos de cada um dos 45.000 "cantores" na plateia. E que coro.

"Paulinho Macca" não só nos impressionou com seu bom português entre suas piadas e sua homenagem a George Harrison ("Este é um tributo para o meu amigo Georgy"), mas com uma visão de dar inveja a qualquer jovem de 20 e poucos anos. Tudo que dizia em nosso idioma estava escrito numa folha de papel pregada ao chão. E por falar em impressionar, foram vinte trocas de instrumentos e entre elas surgiu um Ukulele em algumas músicas. Cativante. Além desse fato da quantidade de vezes que Paul trocou de instrumentos, o site d'O Globo publicou uma matéria com fatos curiosos sobre a estadia dele em terras cariocas e vale muito a pena dar uma conferida.
A banda tem uma presença de palco indescritível e Paul mostra sua gratidão ao final de seu ESPETÁCULO. Não é uma resenha. Aqui vos fala alguém que só não está mais feliz por não ter conseguido um autógrafo para eternizar na pele. Fui capaz de sorrir até com meus sisos e chorar ao mesmo tempo, vendo ali, em pé na minha frente, o homem que eu cresci ouvindo dizer que "achava que o único lugar solitário era na lua" e que "a vida continua", fosse bom, ruim, alegre ou triste. Eu vi um Beatle vivo, um dos quatro caras que fizeram parte da minha vida desde que eu nasci. E cada pedaço de barra de ouro que custou esse show valeu essa realização; eu já posso morrer feliz.
Privilegiados os corações que puderam reviver semana passada o mesmo sentimento de 21 anos atrás, na outra passagem de Paul McCartney pelo Brasil, e um deles é meu pai.
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